quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Me dê a mão

Você nem deve imaginar o quanto me incomodava andar de mãos dadas.

Mas a primeira vez que você encostou sua mão na minha, eu não tive a menor vontade de soltar. Me sentia tranquila ali, apenas observando o céu, os carros. Aquela sensação de felicidade plena. Fazia muito tempo que eu não sentia isso.

E por mais que não tenha durado, foi bom enquanto eu podia sentir isso. Acho que ambos precisávamos disso. Infelizmente, o outro lado seu não deixava com que você se desligasse de tudo que acontecia ao nosso redor.

Era pedir demais para você, e eu nunca seria egoísta a esse ponto.

Porém, me lembro bem da intensidade de cada troca de olhares. De como você contestava certos fatos e eu me sentia tão segura em responde-los.

Sempre repito que não se deve procurar alguém em outras pessoas. Mas a verdade é que eu bem que gostaria de te achar em meio a esses alguéns. Não outra pessoa com essas características, mas você mesmo. Cabeça dura como sempre foi, apaixonado por coisas que ninguém imaginaria - bom, que eu nunca imaginaria.

O mundo dá muitas voltas, e a gente tem que agradecer bem por cada uma delas. Porque foi em uma dessas esquinas da vida, das quais tanto ouvimos falar, que eu tive essa oportunidade de abrir novamente essa janela - pra não dizer o coração, porque é muito clichê e já imaginei você ai, do outro lado da tela, ficando de olhos marejados.

E a gente, ao invés de fechar a janela quando isso termina, deixa uma frestinha aberta para lembrar que, mesmo que o dia esteja feio, pode aparecer um sol no melhor momento. Assim como naquele dia.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

02:02

Faltou dizer no texto anterior, na parte sobre retorno, que escrevo sem saber se você está lendo. Você bem amplo.

Você, a quem o texto foi destinado.

Você, a quem o texto não foi inicialmente destinado, mas passou a compor a lista.

Você, que se pergunta se estou falando sobre você.

Você, que incrivelmente não é o personagem desta vez, mas que está se questionando também.

Você, que nem sabe ao certo como veio parar aqui, mas continua lendo.

Você, tão silencioso que nem imaginei que me lia.

Inicialmente eu propunha que esse texto servisse para que você, leitor, se apresentasse. Sugeria até que isso fosse anonimamente. 

Mas a verdade é que eu sempre escrevi para não explodir. Escrever sempre foi uma válvula de escape. Nunca tive como foco saber o que as pessoas acham sobre o que eu escrevo. Fico feliz quando falam que algo as ajudou, que sentiu determinada coisa lendo, mas não dependo disso para continuar escrevendo. 

Por fim, conclui que não gosto de coisas anônimas. Sou curiosa demais para me corroer com mais dúvidas. Continuarei não sabendo a qual você você pertence. E por mim, tá tudo bem assim.

sábado, 4 de novembro de 2017

01:01

Ideias de texto vêm em diversos momentos. Quando fecho os olhos para dormir e me sinto abraçada pela cama. Mas está tão confortável que eu deixo para anotar no outro dia. E no outro dia, já não recordo o pensamento, por mais esforço que faça.

No meio do banho uma frase surge. Mas seguindo a mesma linha do sono, me distraio e esqueço. Hoje, apenas lembro de falar em pensamento "isso é pessoal demais para ser publicado". Não sei a que ou quem me referia. Neste exato momento lembrei de outro pensamento. "O relacionamento mais duradouro que tive foi com a minha calça de pijama". Mas não era esse o ponto que e queria lembrar. E também não será isso que tratarei neste texto.

Gosto quando as palavras me invadem. Quando meus dedos parecem lerdos demais para acompanhar o que eu sinto e mesmo assim, eu não precise fazer nenhuma edição posteriormente.

A última vez que isso aconteceu foi quando escrevi para você. Nada que eu mudaria naquele texto, mesmo nas circunstancias atuais. Único arrependimento que constantemente me acompanha é o de não manter uma cópia do que entrego. Mas acho que isso que significa o sentimento. Entregar algo preenchido de coisas boas. Lembro da sensação ao escrever, e me convenço de que isso me basta. Poderia falar que guardo também o feedback, mas seria mentira. Não me leve a mal, mas nessa história de escrever sem destinatário, eu me acostumei a não esperar retorno. Poupa noites em claro, com questionamentos e a sensação de decepção. As palavras passam a pertencer a quem as recebe - seja pela minha letra bagunçada ou pela tela de sabe lá o dispositivo eletrônico que você esteja usando. Não inteiramente, afinal, um pedaço de mim mora em cada frase. Então faça o favor de cuidar bem dele.

E este acabou sendo um texto pessoal demais.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

22

Esse texto, na verdade, era para ter começado a ser escrito antes do dia 20 de outubro. Deixar programado e ficar tranquila quanto as reflexões que eu pretendia fazer. Mas eu nem parei para tentar escrever. Talvez eu não estivesse preparada para falar tudo que gostaria. Passou a data, mas não a vontade de escrever sobre isso, então cá estou.

Lido com o meu aniversário como se fosse Ano Novo - só que um bem mais legal, já que não gosto da data universal. Reflito sobre tudo que aconteceu, agradeço, desejo novas coisas e entro renovada na idade que completo.

2017 foi, de longe, um dos anos mais sensacionais que tive. Foi difícil, mas teve tanta coisa absurda que, se não tivesse acontecido comigo e eu não tivesse provas concretas, eu não acreditaria.

Não consigo contar quantos novos amigos fiz, e quantos consegui conhecer novamente. Essa troca de experiência com toda certeza é uma das coisas mais incríveis do ser humano. Acredito muito em encontros. Conversar com alguém é bom, mas sabe aquele quentinho na alma? Ele que faz toda diferença.

Descobri que gosto de Carnaval, e não é pouco. Sou a louca do Carnaval. Volta e meia me pego olhando quantos dias faltam para o próximo, pensando em fantasias e em quanto glitter usei no deste ano. Inclusive, quem quiser me chamar para o ano que vem, já estou aceitando!

Ah, trabalhar faz falta, e não apenas no bolso. Eu me sentia útil em vários aspectos quando trabalhava. Ultimamente, só organizo algumas vendas pela internet, fico acordada até de madrugada e durmo até o meio dia. Uma meta inicial é voltar a dormir e acordar em um horário melhor.

Confirmei que não gosto de ficar sozinha, mas que isso não é ruim o tempo todo.

Se antes eu não tinha paciência para certas coisas, agora... Coitada da pessoa que confunde eu ser boazinha com eu ser trouxa. Não quer dizer que eu não tenha feito alguns papéis de trouxa esse ano, mas estou aprendendo.

Cumpri diversas promessas que fiz para mim, daquelas que não colocamos prazos, sabem? E a sensação de ter realizado elas é ótima. Não adie coisas fáceis que te façam bem.

Cheguei aos 22 amando o meu aniversário como sempre amei, após uma leve crise de não-quero-ver-ninguém. Isso porque nada nesse mundo paga a primavera, o horário de verão, responder cada mensagem de parabéns e poder ver as pessoas que eu amo juntinhas. Não penso necessariamente em "ah, como estou ficando velha" e sim em "nossa, como minha vida é boa".

22 primaveras, sejam bem vindas!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Amores e indecisões

Sou indecisa. Quem me conhece sabe bem disso. Vai desde a escolha do que comer até a definir o que eu sinto por alguém. Ser indecisa faz com que o processo para essa última parte seja complicado. Enquanto eu não conto para alguém o que sinto, aquilo fica indefinido, pulando entre diferentes sentimentos, e portanto não é verdade, tudo certo.

Só que isso não costuma durar muito. Logo eu abro meu coração mais do que o necessário. Ou melhor, mais do que a maioria das pessoas julgam como correto. Mas faço isso porque me liberta em partes. Digo isso porque nem sempre é fácil. Mentiria se falasse que não é doloroso às vezes. Pelo menos, fico com a consciência tranquila sobre o que sinto. O coração agradece. O cérebro não.

Posso passar três semanas conversando com alguém que conheci no Tinder, e considerá-la apenas como uma boa pessoa para conversar. Posso passar meia hora com alguém e estar convicta de que quero cada vez mais tempo com ela - claro que nesse tempo existem fatores suficientes para afastar a indecisão. Posso passar a gostar de alguém que sempre odiei, assim como passar a ter preguiça de alguém que amava. Sentimentos são transitórios, não há como negar.

Volta e meia, durante essas indecisões, me permito sentir falta de certas coisas. Sinto falta de alguém que não divida apenas a cama comigo, mas os sonhos. Ainda assim, não o suficiente para deixar que isso me consuma e domine meu emocional, a ponto de aceitar qualquer coisa que seja diferente ao que na minha cabeça deixei na definição de amor.

domingo, 24 de setembro de 2017

Alguns dias são melhores que outros

Acorda, olha o celular, responde e-mail, responde WhatsApp.
Dá bom dia, escova os dentes, toma café.

Olha o celular.
Um like no Instagram.
Uma marcação fofinha no Facebook.
Notificação do YouTube, saiu o vídeo que você estava esperando.
Assiste.

Coloca uma música alta.
Dança.
Decide arrumar suas coisas.

Conversa algo que não queria.
Lembra de alguém.
"Será que isso faz parte do inferno astral?"

Come, toma remédio, dorme.
Acorda.
Nada passou.
Chora até perder o fôlego.

Abraça o próprio corpo, sente vontade de fugir.
Não sabe exatamente para onde.
Talvez sumir seja a palavra certa.

Toma banho.
"Vai água, afasta tudo isso de mim".
Como se a água fosse capaz de fazer milagres.
Bom, pelo menos não a do chuveiro.

Abre o Instagram novamente, vê se determinada pessoa te segue.
Hm, sim.
Só uma olhada no perfil dela não fará mal.
Mas faz.

Chora.

Toma um gole de água, apaga a luz, conversa.
Reza para que isso saia da sua cabeça.

Nem sempre as coisas ficam bem no fim do dia, mas é importante lembrar que existirão outros.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sigo escrevendo

Me sinto ruim em muitas coisas. Podem não acreditar, mas escrever é uma delas. A menos que surja uma luz e eu escreva um texto de cinco parágrafos em 7 minutos, controlando para que meus pensamentos não atropelem meus dedos, me acho ruim nisso. Acho que é isso que faz com que eu tente ser sempre melhor.

No prézinho, fui a segunda da classe que aprendeu a ler/escrever. Considero isso como um combo, porque apenas letras soltas e meu nome não eram contabilizados como escrita. Tive diferença de um minuto para a primeira pessoa que aprendeu, e talvez esse lado competitivo que tenha alimentado essa insegurança.

Mas tudo bem, eu me achava o máximo contando para a minha agenda da Barbie sobre o meu dia, o que tinha comido e os diálogos com a tia da cantina. Falava quão chateada estava porque um coleguinha não tinha me dado oi – e haja drama nesse relato. Saia de um filme e continuava a história dele por escrito.

Cada escrita de acordo com o que eu passava, sempre. Primeira paixãozinha, briga com a melhor amiga, cópia de scrap do Orkut, conversa do MSN, mudança de escola. Tudo sempre bem detalhado. E então, um blog.

Todo texto meu tem pelo menos um pedacinho de algo que eu sinto, vivo ou vivi. E isso faz com que eu me sinta exposta. Faz com que a critica seja ainda maior. Até que ponto eu estou disposta a dividir algo tão pessoal, que antigamente ocupava somente as páginas dos meus cadernos, e eram lidos para poucas pessoas com algumas edições?

Apesar disso, sempre opto por continuar. Deixar que o mundo me conheça mais um pouquinho, para quem sabe assim, eu conhece-lo também.