sábado, 15 de setembro de 2012

E se?

E se chovesse? E se eu não tivesse comido todo aquele chocolate? E se aquele bolo na garganta não tivesse se dissolvido?  Eu tomaria chuva para disfarçar as lagrimas. O chocolate não teria me dado aquele enjoo terrível na manhã seguinte. Ah, e eu teria uma boa noite de sono sem molhar o meu travesseiro.

E se eu não tivesse ligado o meu celular naquele dia? E se eu ficasse na cama vendo meus filmes preferidos? E se eu não tivesse aquele pesadelo horrível? E se, e se, e se?

São tantas possibilidades, tantas perguntas sem respostas, tantas ideias do que poderia ter acontecido. Não é horrível perder o sono com tudo isso? Pois bem, aqui estou eu mais uma vez, assistindo desenhos e tomando chocolate, agarrada no notebook. Já passa das três da manhã e eu cansei de virar na cama.

Odeio essa historia de meias-palavras, de machuca-e-assopra. Tinha que ir até o fim no que você quer dizer, nada daquela coisa de falar palavras que você pensava que eu queria ouvir. Porque eu, realmente, não queria ouvir nada daquilo. Tudo aquilo não passa de um borrão sem sentido na minha cabeça.

E você não faz ideia do esforço que eu tive que fazer pra esquecer de tudo, fingir que foi apenas um sonho bem longo. Todo esse esforço para você voltar com aquelas brincadeirinhas, sorrisinhos e mensagens que só nos entendemos. Cara, como eu odeio tudo isso! Essa coisa de você quase ler os meus pensamentos. Afinal, por que outro motivo eu iria receber uma mensagem sua a esta hora? Hora de desligar o celular e jogar ele pra bem longe.

Coloquei os meus fones de ouvido e deixei no aleatório. Island In The Sun, Weezer. Uma das minhas musica preferidas, e a que estava tocando quando nos esbarramos pela primeira vez. Ah se desse pra voltar no tempo e... não, próxima musica! Wouldn’t It Be Nice, Beach Boys. O universo só pode estar rindo da minha cara. 

Não faço a mínima ideia do que esta passando na tv. O passarinho das 4:30 começou a cantar. Começo a ouvir alguns carros passando pela rua. Não da mais pra ficar aqui. Visto a primeira roupa que puxo do armário. Escovo os dentes, tranco a porta do meu quarto e saio silenciosamente.

Sorte que é sábado e não tem tanto transito ou tantas pessoas no ônibus. Destino? Não faço a mínima ideia. Já desci de uns três ônibus, quando eu cansar, paro. 

Desço no Brás pra comprar o meu croissant preferido naquela carrocinha que fica em uma esquina. Dois de frango com catupiry, bem quentinhos. Mais um pouco dentro de dois ônibus que eu nem sei o nome, e eu cheguei na avenida paulista. Acho que este é o lugar perfeito. Acabei de passar por uma vitrine e percebi que estou de calça jeans, sobretudo e All Star. Pelo menos fui esperta o suficiente para colocar algo quente.

Ainda não esta totalmente claro, e nenhuma loja esta aberta. Um grupinho de pessoas que parecem ter saído da Augusta passam por mim cantando algo que se parece com Call Me Maybe. Rio e sento em um banco. Não é que eu consegui tirar você um pouco da minha cabeça. Não foi tão difícil. Coloco a mão no bolso e percebo que o celular esta ali. Não lembro de ter pego ele. Abro a mensagem, tem algo parecido a me desculpe, eu fui um idiota. Eu te amo.

E se isso não passasse de um sonho?

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