sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Gravidade

São Paulo estava no transito caótico de fim de tarde, e nem mesmo as buzinas afastavam os meus pensamentos. Nesse caso, o pensamento tinha nome e sobrenome. Desci do ônibus o mais rápido possível, qualquer coisa era melhor que ficar pateticamente pensando em você. Ate mesmo os dois quilômetros que faltavam para chegar em casa.

A brisa trouxe momentos que me acompanharam durante a caminhada e, ao passar por uma rua, um novo pensamento surgiu.

A verdade é que nos dois precisávamos vivenciar aquilo. Mais uma lição para mim, talvez um modo de crescer para você, um amadurecimento de ambas as partes. É, naquele dia aconteceu a quebra de um laço que nunca existiu, a libertação de algo que nunca nos pertenceu. Mas algo interrompeu a conclusão do meu pensamento. Você, me chamando do outro lado da rua, vestindo aquela camiseta que eu te dei no ultimo aniversario, All Star e calça jeans combinando com o seu sorriso despreocupado. Você atravessou correndo, me deu um abraço forte e eu percebi que você tinha mudado de perfume. Confesso que esse combina melhor com a sua personalidade. Senti uma sensação estranha, e sabia que tinha que manda-la embora rapidamente. Decidi ir para casa, mas você disse que só deixaria se eu prometesse te encontrar depois. Fechado. 

Cheguei em casa pior do que quando tinha descido do ônibus, quase tendo um ataque por pensar tanto. Larguei a mochila, taquei o tênis de lado e corri para o chuveiro. Fiquei um tempo lá e depois comecei com aquela velha rotina: tirar tudo do guarda roupa pra acabar escolhendo o primeiro vestido que tinha tirado, me maquiar por meia hora, secar o cabelo. Decidi passar um perfume diferente, só pra você odiar e eu não manter falsas esperanças. E nessa hora a campainha tocou. Nós e o nosso timing.

Saímos e passamos por aquela praça que sempre íamos para conversar, coisa que já não fazíamos há algum tempo. Apesar do meu coração disparado negar isso. E por um segundo eu jurei que esse tempo não havia existido, que você tinha o cabelo jogado pro lado e que eu ainda roía unhas. Você perguntou se estava tudo bem e eu apenas sorri. Você sorriu de volta e logo estávamos dando risada um do outro. Tudo isso era pra ser tão fácil, nos devíamos estar tagarelando sem pausas para respirar, mas ainda não tínhamos dito uma única palavra. Então você quebrou o silencio e começou a contar o que tinha feito durante esse tempo e eu também. Inevitável não imaginar como seria se eu estivesse ao seu lado nessas situações. Comecei a falar também e não sei o porque nos calamos. Droga, passei o perfume que você gostava! Olhamos novamente um para o outro, mas sem sorrisos desta vez. Olhos, mãos, boca. Eu sei o quão idiota é falar isso, mas eu senti o mundo sumir ao nosso redor. Mas isso não significava que tínhamos voltado no tempo. Caminhamos lado a lado, vimos um amigo...ou seja, o colégio inteiro saberia no dia seguinte. Mas eu não me importava. Eu só queria aproveitar tudo antes que o dia terminasse e tudo voltasse a ser como de manhã. Durante as duas horas eu esqueci minha prova de inglês, meu dentista de manhã cedo e até mesmo onde eu morava. Ainda bem que você sabia. 

Dei uma longa olhada no seu rosto para fixa-lo na minha memoria, te dei um abraço e mais um beijo. Desta vez doeu bem mais que o primeiro, por causa das incertezas do nosso futuro. Entrei e corri para o meu quarto, pra ver você descendo a rua com as mãos no bolso. E então eu percebi que tudo voltaria a ser como antes, seja com nós juntos ou separados. Porque tem alguma coisa no universo que sempre irá se encarregar disso. E, algum dia, essa historia ainda terá o final feliz que tanto ouvimos falar.

4 comentários:

  1. E cade o #CheckingTheWeek dessa semana?

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    1. Estou preparando agora, fica de olho que daqui a pouco eu posto (:

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  2. Muito bonito! Peguei o link no seu tweet pra @brunavieira e não resisti :)

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