domingo, 14 de outubro de 2012

A menina que enfrentou o mundo.



Era a terceira vez que ela estava ouvindo aquela musica. Seus olhos se enchiam de lagrimas e ela disfarçava olhando para o teto e enxugando-as no guardanapo de papel. Já era uma rotina sair cedo aos domingos, quando metade da cidade ainda estava na cama ou em baladas, para tomar café sozinha. Fazia ela lembrar da sua infância, de como tudo era mais fácil.

E desta vez a historia não era muito diferente. O mundo fazia perguntas cada vez mais difíceis e ela não conseguia encontrar as respostas. E quando encontrava, não sabia se elas seriam aceitas. Algumas coisas eram tão malucas como afirmar que dois mais dois era igual a sete.

Então ela colocava a cara no caderno de capa rosa, escrevia e rabiscava ideias de como deveria ser o rumo da sua vida. Ela sabia muito bem que já tinha passado da hora de escrever fora daquele caderno, mas como trocar a segurança que lhe era oferecida por aquela folha branca com linhas azuis?

Sem que percebesse, já passava das três da tarde e ela estava sentada no mesmo lugar. Olhou o celular dentro da bolsa, inúmeras chamadas perdidas e mensagens não lidas. Estava na hora de voltar para o mundo real.

Sua casa ficava bem longe de onde estava, mas ela tinha decidido andar. Apesar de não ser um daqueles dias ensolarados em que tudo parece dar certo, a paisagem tinha a sua beleza e importância.

Ela tomou um banho quente e demorado, respondeu as mensagens e desligou seu celular. Fechou a porta do seu quarto e abriu a janela para observar o céu já escuro. Seus pés doíam do tanto que ela tinha andado, mas ela não ligava muito para isso. Estava concentrada em uma linha de pensamentos e tudo o que queria era não ser interrompida.

Apagou a luz e ficou olhando para a janela aberta, deitada em sua cama. Já era hora de realizar as palavras que ela tanto escrevia.

Acordou cedo, coisa que não fazia durante a semana, principalmente em segundas-feiras. Não estava totalmente confiante, mas disse que daria o melhor de si nas próximas vinte e quatro horas. Era uma coisa que somente ela poderia fazer. E era essa expectativa que a fazia imaginar o gosto que essa derrota ou vitória teria.

Por fim, prometeu que seria totalmente otimista por pelo menos um dia. E parecia que estava funcionando. Apesar de não ter sonhado e ter dormido somente com o brunch no estomago, seus planos ate a madrugada fizeram a acordar de bom humor.

Ela pegou o ônibus mais cedo e desceu alguns pontos antes, só para sentir o sol batendo no seu rosto, não se importando em como ele ficaria vermelho em instantes.

De repente, tudo estava como sempre havia sido. Os sorrisos, as palavras, os olhares. Tudo tão intenso. Ela percebeu o quanto gostava disso.

De noite, ela se deitou na sua cama, já havia passado das duas. O silencio estava perfeito para refletir sobre tudo que tinha acontecido. Já estava cansada de camuflar os sentimentos, tanto os bons, quanto os ruins. Por que ela deveria se sentir tão mal sobre isso?

E, do nada, todas as respostas surgiram. Ela respirou fundo, sorriu e virou para o outro lado da cama com a certeza de que teria uma boa noite de sono. Amanhã seria um outro dia. Até melhor, quem sabe.

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