quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sol - Primeira Parte

Eles não estavam na mesma sintonia. Nunca estiveram, se é para dizer a verdade. Ela era uma atriz em formação, e ele a projeção do sonho que arquitetara quando criança.
Conversavam durante o dia, não para matar a saudade um do outro, mas sim a que sentiam da cidade natal. Apesar da faculdade de artes cênicas e o centro de treinamento militar ficarem em cidades vizinhas, eles não se viam com muita frequência. E quando se viam, algo sempre parecia errado. Os olhos dele se perdiam em meio a multidão, enquanto os dela fixavam na tatuagem dele. Uma bolinha, que poucos sabiam o que realmente eram. Mercúrio. O apelido que ele tinha desde criança, em contraposição ao dela, Plutão. Ela pensou em fazer uma tatuagem também, mas não parecia ter tanto sentido. Plutão já havia perdido o seu posto no sistema solar assim como ela havia perdido o espaço no coração dele para a garota dos olhos castanhos claros.
Um final de semana, antes dele voltar para o alojamento, ela colocou um bilhete dentro de sua mala. Desejava que ele conquistasse todos os sonhos e pedia desculpas por não ter mais nenhum em comum, de modo que não podia seguir em frente com isso. Faltavam apenas dois dias para o fim do semestre letivo. Pouco tempo até o inicio do estágio na Broadway. Era apenas como assistente de figurino, mas era um passo que a aproximava do seu objetivo. Então, aquele bilhete foi a decisão mais sensata. Ela sabia que não o amava.
Vocês devem pensar que ele leu a carta no ônibus, correu para o apartamento dela e após algumas lagrimas os dois admitiram que se amavam e que tudo não passava de um mal entendido. Mas este não é o roteiro de uma comédia romântica em que o final sempre é feliz. E este também não é o final.

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