domingo, 21 de setembro de 2014

Era isso então!

Já era a terceira vez que acordava naquela noite. Algo não devia estar certo...
Olhou para a janela, bem fechada, com a cortina de pequenas flores azuis e começou a contá-las. Dezoito, dezenove, vinte. Estavam todas ali. Esse era um hábito que ela adquiriu quando começava a pensar em coisas ruins. Não sabia exatamente se era uma crise do pânico, mas pensar muito a deixava tonta e enjoada, como se precisasse chorar bem alto por tudo que acontecia e gritar todas as coisas que a incomodavam.
Mas dessa vez era diferente. O dia havia sido ótimo. Comprara o vestido mais perfeito do mundo - um que tinha visto quando ainda estava no ensino médio e que a fazia sentir como se fosse uma fada. Foi para a reunião com as amigas, que logo reconheceram o vestido, de tantas descrições que ela tinha feito. Conversaram sem se preocupar com horários, celulares e calorias.
E então, assim que saiu do apartamento, pronta para pegar o táxi, deu de cara com ele apoiado no carro, com aquele sorriso despreocupado que ela tanto amava. Olhou para as amigas que estavam debruçadas na sacada do primeiro andar e deu uma piscadinha para então caminhar até ele, que a pegou pela mão e a girou, fazendo com que o vestido se movesse perfeitamente. Logo depois, os braços quentes dele envolveram sua cintura, e eles se beijaram como se não tivessem se visto por um longo período de tempo.
- Iremos jantar no seu restaurante preferido.
Não fazia ideia de ter mencionado isso alguma vez. Ela nunca conseguia se decidir, ainda mais quando o assunto era comida. Mas ele acertou em cheio. O local era pequeno, servia todo tipo de massas e era de frente para o mar. Sentia que a sua estação preferida estava cada vez mais perto, com aquela brisa trazendo o cheiro salgado que tanto gostava. Naquele momento não existia nenhuma preocupação, nenhum texto pendente, nenhuma briga que seria capaz de acabar com seu sorriso.
Ela parou de fitar a cortina e olhou para o seu lado. Ele estava deitado ao seu lado, com os olhos semicerrados.
- Esta tudo bem?
Ela sorriu e deu um beijo na testa dele, que sorriu em resposta antes de se afundar novamente nos travesseiros e puxar ela para o seu peito, brincando com as longas mexas de cabelo para que ela adormecesse.
Realmente, nada estava certo. Ela se sentia extremamente feliz. Como não se sentia há muito tempo.

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